PERGUTAR NÃO OFENDE (texto livre para divulgação)
Conforme diz o Novo Dicionário Aurélio, a palavra “insólito” pode significar, em diferentes contextos: desusado; contrário ao costume, ao uso, às regras; inabitual; anormal; incomum; extraordinário. Estes vários atributos possivelmente servem para O livro de perguntas insólitas, entregue ao público neste momento de busca de respostas para o futuro. Mas não se espere dele resultados práticos. Respostas, se existirem, flutuarão na subjetividade de cada leitor, no pendor individual investigativo ou na incerteza atemporal. Arrisca-se o leitor, portanto, a investir seu tempo e dinheiro no terreno da inutilidade. Aliás, mais apropriado seria dizer: plausível inutilidade útil.
A obra, em formato de bolso, compõe-se de 157 perguntas, cada uma associada ao número de ordem em que vai inserida, e distribuída em três linhas, somando dezessete sílabas, desde que contadas até a última sílaba tônica de cada uma delas. Embora lembrem o haikai, gênero literário de origem oriental, parecem não ter pretensão de serem lidas como os pequenos poemas compostos em ideogramas por poetas japoneses a exemplo de Matsuo Bashô e, em várias línguas, por inúmeros autores, incluindo brasileiros.
De autoria de Krauh Offman, o livro sucede outros dois já publicados:
Anotações de um voyeur, composto de micro-contos, e Mas o que é poesia, com definições inabituais do que é essa parte essencial de qualquer obra de arte, ou seja, a sua força ou emanação poética. Os três títulos têm o selo da Editora Caminho de Dentro.
Sobre o autor, vale perguntar:
Krauh Offman, quem é? Conforme está dito no livro, ele surgiu ao acaso, pedindo carona numa viagem através do litoral sul-brasileiro. Uma natureza primitiva parece repercutir em sua movediça personalidade. É e não é. Torna-se incômodo em insistir num deslocamento constante da realidade objetiva, inserindo-se em outra, imprevista e furtiva. Enamora-se de palavras que dizem sem dizer. A elipse lhe cabe quase bem. Às vezes, a metáfora. Se herança traz de algum autor, seu nome não é reconhecível. De gosto musical, pode lhe valer o minimalismo, ou o cancioneiro goliardo. Das artes plásticas, tem um quê de Salvador Dali. Da poesia, serve-lhe, em especial, a do silêncio. Mas não só.
(OFFMAN, Krauh. O livro de perguntas insólitas, 176p. Florianópolis, Caminho de Dentro Edições, 2026. R$ 39,00)
